Reino de Deus

Existe uma saudade que não nasceu na terra.

Ela habita silenciosamente o coração humano, como um eco distante de um lar que ainda não conhecemos plenamente. É a saudade do Reino de Deus. Um chamado que atravessa os séculos, uma esperança que nenhuma alegria passageira consegue satisfazer, um anseio que desperta sempre que nossos olhos se voltam para o céu e nossa alma sussurra: “Vem, Senhor Jesus.”

Vivemos entre as sombras de um mundo belo e, ao mesmo tempo, quebrado. As flores ainda exalam perfume, os rios continuam correndo, as estrelas ainda anunciam a grandeza do Criador, mas tudo parece carregar as marcas de uma criação que aguarda sua restauração. Há lágrimas escondidas, despedidas dolorosas, sonhos interrompidos, corpos que envelhecem, corações que se cansam e uma humanidade inteira procurando, muitas vezes sem saber, aquilo que somente Deus pode oferecer.

Mas acima de todo sofrimento existe uma promessa.

Uma promessa guardada no coração do Pai desde antes da fundação do mundo.

Cristo voltará.

Não como o Servo sofredor que caminhou pelas estradas da Galileia, mas como o Rei da glória, diante de quem os céus se abrirão e toda a criação reconhecerá Aquele que sempre foi o verdadeiro Senhor de todas as coisas. Sua voz será mais poderosa que o estrondo das águas, mais doce que toda esperança cultivada pelos santos através das gerações.

Então, finalmente, o tempo entregará lugar à eternidade.

Toda injustiça será silenciada para sempre. Nenhuma lágrima permanecerá sem consolo. Nenhuma oração esquecida deixará de encontrar resposta. Tudo aquilo que parecia perdido será iluminado pela perfeita sabedoria de Deus, e compreenderemos que, mesmo nos dias mais escuros, Suas mãos jamais deixaram de sustentar a história.

Depois que o último inimigo, a morte, for vencido, Deus fará nascer novos céus e nova terra.

Não será apenas um mundo reconstruído.

Será um mundo transfigurado pela glória do próprio Deus.

A criação inteira respirará paz.

O vento parecerá cantar louvores. As águas refletirão a luz do Cordeiro. As montanhas proclamarão a majestade do Criador. Cada árvore, cada jardim, cada amanhecer revelará uma beleza jamais imaginada. Nada envelhecerá. Nada adoecerá. Nada morrerá. O tempo já não será um ladrão roubando instantes preciosos, mas um rio eterno de alegria que jamais encontrará seu fim.

E então surgirá a Cidade Santa.

A Nova Jerusalém descerá do céu como uma noiva revestida de luz. Não haverá nela qualquer sombra, porque a glória de Deus preencherá todas as coisas. Suas ruas resplandecerão como ouro transparente. Seus fundamentos brilharão como pedras preciosas banhadas pela luz eterna. Suas portas permanecerão sempre abertas, pois nunca mais existirá noite.

Não haverá templos.

Toda a cidade será um santuário.

Toda a criação será um lugar de adoração.

A presença de Deus envolverá cada respiração, cada encontro, cada sorriso, cada canção.

Do trono de Deus e do Cordeiro correrá o Rio da Água da Vida, límpido como cristal. Em suas margens florescerá a Árvore da Vida, oferecendo continuamente seus frutos, lembrando para sempre que a comunhão perdida no Éden foi restaurada de maneira infinitamente mais gloriosa.

Ali não haverá medo.

Não haverá saudade.

Não haverá culpa.

Não haverá despedidas.

Ninguém perguntará onde Deus está, porque todos contemplarão Sua face.

Ninguém buscará consolo, porque o próprio Consolador habitará com Seu povo.

Nenhuma oração terminará com “amém”, esperando resposta, pois toda a vida será uma resposta eterna ao amor do Pai.

Cristo reinará para sempre.

O trono será o trono de Deus e do Cordeiro.

O Pai e o Filho governarão em perfeita unidade, e toda a criação viverá em absoluta harmonia sob Seu amor infinito. O universo inteiro será como um grande coral, onde cada criatura encontrará sua voz para proclamar eternamente: “Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus Todo-Poderoso.”

Talvez seja por isso que, mesmo nos dias mais felizes desta vida, ainda sentimos que falta alguma coisa.

Porque fomos criados para contemplar um rosto que ainda esperamos ver.

Fomos criados para caminhar por ruas iluminadas pela glória de Deus.

Fomos criados para ouvir a voz do nosso Pastor sem a interferência da dor.

Fomos criados para um Reino onde o amor jamais conhecerá despedidas.

E quando aquele grande dia finalmente amanhecer, compreenderemos que todas as alegrias desta terra eram apenas pequenos reflexos da verdadeira felicidade.

Descobriremos que toda beleza apontava para uma Beleza maior.

Que toda música anunciava uma Canção eterna.

Que todo amor verdadeiro era apenas uma centelha do Amor que sustenta o universo.

Então, repousaremos para sempre na presença do Rei.

E, olhando para Seu rosto glorioso, entenderemos, enfim, que era Ele quem a humanidade procurava desde o princípio.

Como um cristão deve responder à perseguição?

Não há dúvida de que a perseguição é uma verdadeira realidade para aqueles que vivem a vida cristã. É de se esperar a perseguição Cristã: o apóstolo Paulo advertiu que “todos os que querem viver uma vida divina em Cristo Jesus serão perseguidos” (2 Timóteo 3:12). Jesus disse que, se o perseguiram, também perseguirão seus seguidores (João 15:20). Jesus deixou claro que aqueles do mundo odiarão os cristãos porque o mundo odeia Cristo. Se os cristãos fossem como o mundo – vaidosos, mundanos, sensuais e dados ao prazer, riqueza e ambição – o mundo não se oporia a nós. Mas os cristãos não pertencem ao mundo, razão pela qual o mundo se engaja na perseguição cristã (ver João 15: 18-19). Os cristãos são influenciados por princípios diferentes dos do mundo. Somos motivados pelo amor de Deus e pela santidade, enquanto o mundo é impulsionado pelo amor ao pecado. É nossa própria separação do mundo que desperta a animosidade do mundo (1 Pedro 4: 3-4).