O Príncipe e as Dezesseis Virtudes

Um príncipe cristão seguindo os ensinamentos bíblicos decidiu testar as moças do reino com 16 testes de caráter cristão (As 9 principais virtudes conhecidas como Frutos do Espírito e 7 complementares). Aquela que demonstrasse as maiores virtudes seria escolhida como sua esposa. Ele apenas lhes disse que desenvolveria com elas algumas atividades para lhes conhecer melhor, sem mencionar que o caráter delas estava sendo testado. Elas foram convidadas para se hospedarem no palácio na ala dos hóspedes e todo o palácio estava sendo vigiado por câmeras, monitoradas pelo príncipe e pelos auxiliares do príncipe, presentes dentro e ao redor do castelo.  Todas as moças estavam sendo observadas. Este era um príncipe sábio que como a Bíblia aconselhou, testava os espíritos para que seu coração encontrasse uma princesa de coração semelhante e vivessem o amor verdadeiro.

Havia um príncipe que temia a Deus e buscava mais do que beleza para escolher sua esposa. Ele conhecia as Escrituras e guardava em seu coração a sabedoria de que “o homem vê o exterior, mas o Senhor vê o coração”.

Muitas jovens do reino eram belas, elegantes e desejavam ocupar o trono ao seu lado. Mas o príncipe sabia que a vida não se sustenta apenas na aparência — e que o verdadeiro amor floresce quando dois corações caminham na mesma verdade.

Assim, decidiu não anunciar um desafio, mas convidar as jovens para participarem de algumas atividades, hospedando-se por um tempo no palácio. Ele não revelou que, em cada situação, estaria observando algo muito mais profundo.

Entre elas estava uma jovem de aparência simples, mas olhar sereno. Não chamava atenção pelos vestidos, mas havia nela uma beleza tranquila que crescia à medida que era conhecida.

Chegando o dia do primeiro teste, o príncipe acordou um pouco ansioso. O primeiro teste era o teste do Amor. O príncipe desejava encontrar uma esposa que soubesse amar de verdade. Para isso, chamou as jovens do reino hospedadas no palácio e propôs que passassem o primeiro dia no abrigo de crianças órfãs. Ele se retirou dizendo que tinha decisões importantes para serem tomadas e que as moças teriam que representá-lo neste dia no abrigo, cumprindo esta tarefa para ele. As moças não avistaram ninguém mais do palácio no abrigo além delas e dos cuidadores simples do orfanato.

Algumas levaram presentes caros, mas mantiveram distância. Outras apenas cumpriram o tempo, olhando o relógio. Outras repudiaram a tarefa e acharam as crianças pobres e um pouco sujas.

Uma jovem, porém, sentou-se no chão, ouviu histórias, enxugou lágrimas e fez cada criança se sentir importante.

Ao final do dia, o príncipe declarou em sua sala de monitoramento:

— O amor não está no que se dá, mas em como se entrega.

E escolheu para quele teste aquela que amou com presença e demonstrou a virtude do Amor.

No segundo dia, que amanheceu com chuva, o príncipe cancelou no meio do dia um grande evento esperado, uma festa para apresentação das candidatas. Muitas reclamaram, murmuraram e perderam o ânimo, além de sentirem raiva por terem passado a manhã se embelezando.

A jovem simples, porém, começou a cantar suavemente em seu quarto e trouxe leveza ao ambiente. Ela já estava apaixonada com o príncipe e feliz por simplesmente estar ali.

Sua virtude da Alegria não dependia das circunstâncias.

No terceiro dia, durante uma situação de conflito entre os servos, o príncipe observou as reações.

Algumas se afastaram, outras tomaram partido com dureza.

A jovem simples aproximou-se com calma, depois que as mais agressivas deixaram o local, ouviu ambos os lados e trouxe reconciliação.

Ela carregava a virtude da Paz.

No quarto dia, o príncipe atrasou propositalmente um encontro importante das jovens com as costureiras do palácio para a confecção dos vestidos da grande festa de anunciação da escolhida. As jovens demonstraram irritação e impaciência.

A jovem simples esperou em silêncio, sem queixar-se, aproveitando o tempo com serenidade pois ela vinha de uma família de costureiras e cresceu ouvindo histórias de maus tratos e falta de educação de mulheres ricas para com as costureiras. 

Ela aprendeu a virtude da Paciência com elas.  

O quinto dia foi revelador. Foi pedido que as jovens ajudassem nos trabalhos simples do palácio pois as servas estavam todas resfriadas. A maioria recusou e outras fizeram com descaso.

A jovem simples realizou tudo com cuidado e carinho como se fosse algo precioso cuidar do que pertencia ao príncipe. Demonstrando a virtude da Bondade para com aqueles que lhe serviam, lhes substituindo e no zelo ao cuidar do que era dele.

As jovens finalmente ficaram todas felizes no sexto dia. O príncipe mandou anunciar que ofereceria a cada pretendente uma pequena bolsa de moedas de ouro e que deveriam retornar após sete dias.

As jovens ficaram encantadas. Algumas compraram roupas ainda mais luxuosas, outras organizaram banquetes para impressionar o príncipe no palácio, e muitas guardaram o ouro com zelo, acreditando que demonstrar cuidado com os bens seria uma virtude admirável.

Entre elas a jovem simples, de vestes modestas e olhar sereno. Ao sair do palácio, encontrou pelo caminho um homem ferido, uma mãe sem alimento para seus filhos e um idoso que não tinha forças para trabalhar. Sem hesitar, usou todas as moedas para ajudá-los.

Quando o dia marcado chegou, ela retornou ao palácio de mãos vazias. As outras exibiam com orgulho o que haviam feito com o ouro.

O príncipe observou cada uma atentamente, mas seus olhos repousaram sobre a jovem que nada trazia.

— Onde estão as moedas que lhe dei? — perguntou ele.

Com humildade, ela respondeu:

— Senhor, encontrei pessoas que precisavam mais do que eu. Usei tudo para socorrê-las. Nada me restou.

Todas riram da jovem simples. O príncipe se retirou da presença de todas elas refletindo sobre a virtude da Benignidade, gentileza e generosidade que a jovem simples demonstrou.

No sétimo dia o príncipe visitou cada jovem em seu quarto e na porta lhe entregou uma correspondência real com planos para o casamento real que ele pediu que ela protegesse e aguardasse o momento certo de abrirem a correspondência juntos, pois ela havia chamado a atenção do príncipe com seu comportamento e por isso estava confiando nela.  Retornou para sua sala de monitoramento e ficou perplexo ao ver que quase todas abriram a correspondência exceto a jovem simples e uma outra jovem que ficou com medo de violar a correspondência. Todas fecharam a correspondência novamente quase que perfeitamente, mas as câmeras as denunciaram. O príncipe era um jovem integro e somente olhava as câmeras quando necessário para avaliação das jovens em teste.  A jovem simples foi fiel não por medo, mas por caráter.

Este teste serviu para revelar a virtude da Fidelidade.

No oitavo dia as jovens foram criticadas por terem violado a correspondência real. Algumas reagiram com orgulho ferido pois estavam buscando uma aparência perfeita. A jovem simples respondeu com humildade e calma diante da crítica injusta e permaneceu tranquila, sua força estava no domínio de si. Demonstrando assim, a virtude da Mansidão.  A outra jovem que não abriu a correspondência, irou-se com a crítica injusta, e no fundo havia desejado abrir a correspondência.

No nono dia uma fraqueza da jovem simples foi exposta. Em um banquete, foi oferecido de tudo. Algumas se entregaram sem medida. Outras conseguiram moderar-se com equilíbrio por diversos motivos, para ficarem magras ou por estarem sendo observadas. Havia duas etapas do teste. Em um primeiro momento todas juntas, depois deixadas à sós, para testar o domínio próprio na presença de outras pessoas e quando ninguém estava vendo. Nenhuma jovem passou no teste da virtude do Domínio Próprio, depois de serem deixadas com fome antes de ficarem sozinhas no banquete. A jovem simples nunca tinha visto um banquete assim em sua vida. Ela era muito simples. Na presença das demais ficou constrangida, mas quando ficou sozinha no banquete, ela se deliciou com a fartura. Ela até engordou um pouco com a fartura do palácio. Sua ansiedade em um espírito dócil sendo tão testado encontrou nessa condição um desafio para seu caráter.

O príncipe sorriu atrás das câmeras. Ele achava a jovem simples encantadora e a comida sempre em fartura até lhe entediava. E até vislumbrou sentir mais prazer a mesa em sua companhia com seu encantamento com a fartura. Ele sabia que ela seria uma bela princesa que saberia jejuar quando necessário e moderar-se com equilíbrio tendo o afeto do príncipe.

No décimo dia o príncipe elogiou outra jovem diante de todas. Algumas sentiram inveja. A jovem simples sorriu sinceramente, alegrando-se com a presença do príncipe e com seu jeito encantador. Ela desejou receber o elogio para si, mas com a virtude da Humildade, aceitou o elogio da outra jovem, graciosamente.  

No décimo primeiro dia o príncipe organizou para que uma a uma das jovens ficasse à sós com seu fiel amigo de quatro patas em uma área especial do jardim que era dele. Esse cão era o leal companheiro do príncipe desde criança. O cão coincidentemente não gostou das jovens que não gostavam de cachorro, assustou algumas, e até rosnou para algumas más que tentaram agredi-lo. A jovem simples que também tinha amiguinhos de quatro patas lhe ofereceu ração e água e brincou com ele, demonstrando a virtude da Integridade.

No décimo segundo dia foi proposta uma reunião com o príncipe que não pode novamente comparecer. Os servos do príncipe pediram para as jovens aguardarem em silêncio. Algumas se distraíram com conversas e outras reclamavam indignadas com outro cancelamento. A jovem simples recolheu-se em oração. Ela havia aprendido a aceitar com retidão, mudanças inesperadas na virtude do Temor a Deus.

No décimo terceiro dia os servos do príncipe informaram as jovens que elas teriam que dormir esta noite na ala mais simples do palácio, onde os servos dormem, pois com as chuvas a ala da hospedaria precisava de reparos. As jovens ricas ficaram aborrecidas e revoltadas. Algumas desistiram de permanecer no palácio, refutando as primícias mais simples do castelo. A jovem de origem simples não teve problemas em dormir em um dos quartos mais simples, semelhantes ao seu quarto de sua residência singela. A metade das jovens permaneceu, mas apenas por que tinham a certeza da residência real ao lado do príncipe. A virtude da Sabedoria, no discernimento de escolhas difíceis foi testada.  

No dia seguinte, para a décima quarta virtude ser testada, as servas ofenderam as jovens que tinham ficado enfurecidas de terem que dormir na mesma ala que elas, dizendo que todas elas eram repugnantes por se considerarem superiores. A jovem simples respondeu com graça que não se achava superior e perdoou as servas. Quase todas as outras jovens não suportavam mais as servas e juraram substituí-las quando se tornassem a nova princesa. A virtude do Perdão ficou evidente para o príncipe.

A manhã do décimo quinto dia foi marcada por uma tempestade raramente vista no reino. Dessa vez, as servas tiveram seus quartos cheios de água devido as fortes chuvas. O próprio príncipe pediu para as jovens acolherem as servas em seus quartos para passarem esta noite e que as mesmas não tinham onde dormir. A maioria negou ajuda, achando o pedido absurdamente inaceitável. Muitas eram como princesas, e faziam parte da alta sociedade do reinado. A jovem simples que já havia feito amizade com as servas ficou até em dúvida de qual serva acolher em seu quarto. Outras jovens ofereceram estadia em suas próprias residências para as servas do príncipe no quarto de suas servas. O príncipe havia crescido com estes servos, ajudantes e auxiliares do reinado de sua família e tinha sido educado em tratá-los de forma além de justa, amável. A virtude da Justiça ficou evidente neste teste.

O último dia, o décimo sexto dia, que amanheceu ensolarado foi marcado pela decisão implacável do príncipe de reduzir os confortos do palácio no tempo final dos testes. As jovens em sua maioria estavam exaustas, privadas de sua vida luxuosa e de muito conforto.  A jovem simples, por outro lado, estava achando aquela experiência menos desafiadora que sua própria realidade. E permaneceu agradecendo por tudo e a todos que lhe serviam, demonstrando a virtude da Gratidão. O coração grato enxerga riqueza onde outros veem falta.

Ao final, o príncipe disse:

— Não escolho a mais bela aos olhos apenas, mas a mais bela no coração também.

E aquela que viveu as maiores virtudes foi escolhida — e sua beleza interior fez resplandecer tudo o que ela é por dentro.

Ao final, o príncipe reuniu todas em uma bela festa.

Então disse:

— Observei não apenas o que vocês fizeram, mas como fizeram.

Seus olhos repousaram sobre a jovem simples.

— A verdadeira beleza não estava nos vestidos, mas no coração. E o seu coração refletiu aquilo que busco viver.

E tomando suas mãos, declarou:

— Você será minha esposa.

E naquele momento, todos perceberam algo curioso:
a jovem, antes considerada simples, parecia agora radiante.

Não porque havia mudado por fora,
mas porque sua beleza interior iluminava tudo ao seu redor e todo seu ser.

E assim, juntos, governaram com amor, verdade e temor a Deus —
provando que o verdadeiro amor nasce quando dois corações refletem o mesmo caráter e comungam das mesmas virtudes cristãs.

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